Traduzindo na Espanha - uma experiência surreal
Já contei para vocês da minha entrevista ao blog Entrevistando Expatriados. Pois é, estava refletindo sobre algumas de minhas respostas, e acredito que devia acrescentar algo à pergunta - "você mudou de área depois da saída do Brasil ...".
Eu continuo escrevendo material didático e dando aulas, mas também aprendi coisas novas e estou atuando em outras frentes. Primeiro por necessidade total, sobrevivência mesmo, comecei a traduzir textos do espanhol ao português, depois ao espanhol. De repente, sem saber como, estava fazendo o que eles chamam de tradução consecutiva. O que é isso? Uma pessoa fala, para e você que está ao seu lado resume e traduz o que ela disse.
A primeira vez que fiz este tipo de trabalho foi meio hilária. Eu realmente não sabia que ia fazer isso. Estava trabalhando em umas jornadas com prefeitos das Canárias, Madeira e Açores. Coordenava a parte de fala portuguesa. De repente me chamaram para estar ao lado de alguns prefeitos que estavam dando entrevista ao vivo para a televisão e a rádio. Disseram que era para ajudar caso eles tivessem alguma dificuldade. A um dos políticos portugueses lhe fizeram uma pergunta, e ele desimbestou a falar, falou muito mesmo. Quando ele terminou, os jornalistas colocaram o microfone na minha boca (literalmente) para que eu fizesse a tradução! Eu que estava meio " o pensamento vai mais longe", quase morri enfartada. E assim começou minha vida de tradutora ao vivo e a cores.

E não é que existe uma prova deste fato. Olha eu aí de camiseta branca, parecendo o louro do pirata!
Na segunda vez me chamaram para uns seminários financiados pela União Européia, e tive que fazer tradução de palestras sobre biologia marinha, etc. Depois disto, vi que já nada me dava muito medo.
Um dia me chamaram para fazer tradução simultânea, aquela que você fica em uma cabine com um fone, escuta o que a pessoa fala e vai simultaneamente traduzindo. Eu não aceitei, é que me parecia muito atrevimento!
O segundo convite veio em um momento que necessitava um dim-dim extra. Fui sincera e disse que não tinha nenhuma experiência. Realizaram um teste comigo e com duas cabo-verdianas. Antes do teste meu coração parecia que ia sair do peito, eu não me sentia capaz de escutar e falar ao mesmo tempor em dois idiomas diferentes. Mas foi muito estranho, na hora que coloquei os fones, e a pessoa começou a falar, fiquei tranquila, e passei no teste. Assim em 2007 com a Carla (saudades de ti) trabalhei por primeira vez em cabine.
Neste tipo de tradução tem um momento em que você pode traduzir a um outro tradutor. Como é isso? É o que chamam "relay", neste caso em concreto, estávamos trabalhando em quatro tradutores de espanhol-português, francês-espanhol. Quando uma pessoa falava em francês, eu escutava ao colega que traduzia ao espanhol e então traduzia ao português. Assim, quando falavam em português, eu traduzia ao espanhol e ele por sua vez ao francês. Isto te coloca um pouco nervosa, porque quase todo mundo na sala depende do teu trabalho!!!
Uma nova experiência em um outro país, algo que eu nunca, mas nunca mesmo pensei que fosse fazer na minha vida, e aqui estou (risos). Sabe né aquele ditado: "a necessidade faz o ladrão", é bem por aí mesmo!

Eu na cabine no meu último trabalho (dezembro/2008) em Casa África
Quer saber das minhas aventuras espanholas? Leia minha entrevista aqui.
Beijos e amanhã lhes espero para ver o último capítulo da Telenovela Kalón, e um índice da Grécia para facilitar a vida dos leitores!!!
Destaque do post:
Blog Entrevistando Expatriados
Experiência profissional no exterior
Tradução consecutiva e simultânea
Leia também:
Entrevistando Expatriados
Fotos: turomaquia_2003
turomaquia_2008
Tags Technorati: Experiência profissional no exterior, tradução consecutiva, tradução simultânea, blog Entrevistando Expatriados
Eu continuo escrevendo material didático e dando aulas, mas também aprendi coisas novas e estou atuando em outras frentes. Primeiro por necessidade total, sobrevivência mesmo, comecei a traduzir textos do espanhol ao português, depois ao espanhol. De repente, sem saber como, estava fazendo o que eles chamam de tradução consecutiva. O que é isso? Uma pessoa fala, para e você que está ao seu lado resume e traduz o que ela disse.
A primeira vez que fiz este tipo de trabalho foi meio hilária. Eu realmente não sabia que ia fazer isso. Estava trabalhando em umas jornadas com prefeitos das Canárias, Madeira e Açores. Coordenava a parte de fala portuguesa. De repente me chamaram para estar ao lado de alguns prefeitos que estavam dando entrevista ao vivo para a televisão e a rádio. Disseram que era para ajudar caso eles tivessem alguma dificuldade. A um dos políticos portugueses lhe fizeram uma pergunta, e ele desimbestou a falar, falou muito mesmo. Quando ele terminou, os jornalistas colocaram o microfone na minha boca (literalmente) para que eu fizesse a tradução! Eu que estava meio " o pensamento vai mais longe", quase morri enfartada. E assim começou minha vida de tradutora ao vivo e a cores.

E não é que existe uma prova deste fato. Olha eu aí de camiseta branca, parecendo o louro do pirata!
Na segunda vez me chamaram para uns seminários financiados pela União Européia, e tive que fazer tradução de palestras sobre biologia marinha, etc. Depois disto, vi que já nada me dava muito medo.
Um dia me chamaram para fazer tradução simultânea, aquela que você fica em uma cabine com um fone, escuta o que a pessoa fala e vai simultaneamente traduzindo. Eu não aceitei, é que me parecia muito atrevimento!
O segundo convite veio em um momento que necessitava um dim-dim extra. Fui sincera e disse que não tinha nenhuma experiência. Realizaram um teste comigo e com duas cabo-verdianas. Antes do teste meu coração parecia que ia sair do peito, eu não me sentia capaz de escutar e falar ao mesmo tempor em dois idiomas diferentes. Mas foi muito estranho, na hora que coloquei os fones, e a pessoa começou a falar, fiquei tranquila, e passei no teste. Assim em 2007 com a Carla (saudades de ti) trabalhei por primeira vez em cabine.
Neste tipo de tradução tem um momento em que você pode traduzir a um outro tradutor. Como é isso? É o que chamam "relay", neste caso em concreto, estávamos trabalhando em quatro tradutores de espanhol-português, francês-espanhol. Quando uma pessoa falava em francês, eu escutava ao colega que traduzia ao espanhol e então traduzia ao português. Assim, quando falavam em português, eu traduzia ao espanhol e ele por sua vez ao francês. Isto te coloca um pouco nervosa, porque quase todo mundo na sala depende do teu trabalho!!!
Uma nova experiência em um outro país, algo que eu nunca, mas nunca mesmo pensei que fosse fazer na minha vida, e aqui estou (risos). Sabe né aquele ditado: "a necessidade faz o ladrão", é bem por aí mesmo!

Eu na cabine no meu último trabalho (dezembro/2008) em Casa África
Quer saber das minhas aventuras espanholas? Leia minha entrevista aqui.
Beijos e amanhã lhes espero para ver o último capítulo da Telenovela Kalón, e um índice da Grécia para facilitar a vida dos leitores!!!
Destaque do post:
Blog Entrevistando Expatriados
Experiência profissional no exterior
Tradução consecutiva e simultânea
Leia também:
Entrevistando Expatriados
Fotos: turomaquia_2003
turomaquia_2008
Tags Technorati: Experiência profissional no exterior, tradução consecutiva, tradução simultânea, blog Entrevistando Expatriados

8 comentarios:
Si si rss, legal, essa intercomunicação entre idiomas é um negócio muito bom, sempre que atendo aqui no brasil pessoas de idiomas diferentes fico realmente empolgado, eu trabalho em shopping atualmente, atendo alguns extrangeiros, e é realmente gratificante conseguir o contato com eles, eles também te respeitam muito quando você faz de tudo pra atender à maneira deles !
A foto do papagaio de pirata ficou legal kkkk ! rsrs
abraço
oi patricia! amei a entrevista! super bacana conhecer um pouco mais sobre vc, uma amiga já tão querida! bj gde e ótima semana!!!
Patricia,
Nossa, tá ai uma profissão que eu sempre achi muuuuuito difícil. Pra mim é coisa de outro mundo, mas com a tranquilidade que você narrou seu trabalho parece mesmo que você tirou de letra. E me diga uma coisa, não falta palavras às vezes?? Coisas que vc não acha a tradução na lingua traduzida??
Beijos
Viniart,
os idiomas são todo um mundo, mas nunca pensei que seria minha praia. por isso é legar sempre estar aberto as várias possibilidades que o mundo vai nos oferecendo!
Muitos beijos
Claudia, obrigada pela tua presença constante por aqui! Você sabe que já meu deu muita força em alguns momentos delicados!
Beijos amiga mía
Carol,
faltam palavras sim! por isso na cabine sempre estão duas pessoas, se uma fica em branco, a outra ajuda. Também levo um notebook pequeno e deixo aberto o dicionario world reference.
Mas tem palestras de temas tão específicos que é dureza, e dificilmente te dao material antes do evento!
Beijos
Nossa, Patricia! Tem que ter um raciocinio muito rapido pra trabalhar assim! Nao sei se eu daria conta do recado, nao!
Basta eu conversar alguns minutos com a minha mae pro meu italiano piorar de um modo incrivel! E minha mae vive reclamando que o meu portugues jà foi bom... :)
Bjs
Luisa como eu disse, nunca imaginava na real que poderia fazê-lo, mas deu certo! (risos) Nem esquenta que tua mãe te diga isso, as vezes os meus pais também me chamam atenção, ainda mais porque aqui o português que traduzo é com acento português, e tem umas palavras diferentes (jejejejeje) uma confusão total!!!
Beijos
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