Guias de Viagem e Arte

 
 
jan 13 2020

Guia de leitura do livro “Isso é arte?”

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"Esse post pretende ser um guia para a leitura do livro do Will Gompertz – “Isso é arte”. Imagino que para baratear costes e torná-lo acessível a um maior número de pessoas, o livro não abriga as imagens de todas as obras citadas.

A ideia é colocar as obras citadas a cada capítulo e também dar pistas para ampliar um pouco as discussões sobre cada artista, movimento ou escola.

Mas queria que esse post fosse colaborativo. Sei que o pessoal já não comenta muito nos sites, mas desejar é grátis, né ? Assim se você tiver links para materiais ou livros, por favor, coloque sua contribuição nos comentários!

Indice do Guia de Leitura do Livro Isso é arte


Capítulo 1 – Fonte, 1917
Capítulo 2 – Pré-impressionismo: A confrontação da realidade, 1820 – 1870
Capítulo 3 – Impressionismo: Pintores da vida moderna, 1870-90
Capítulo 4 – Pós-impressionismo: Ramificação, 1880 – 1906

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Capítulo 1 – Fonte, 1917

Will Gompertz começa “Isso é arte?” com a obra que colocou em xeque, o conceito de arte. Ou que libertinamente jogando com as palavras foi o germe para um tipo de arte que até hoje é bastante incompreendida e vilipendiada – a arte conceitual.

A fonte original e o fotógrafo famoso

Da “fonte” original restou apenas a fotografia do renomado Alfred Stieglitz. Essa fotografia e o número da revista “The Blind Man” totalmente dedicado à obra, foram tão importantes para que essa peça implodisse o mundo da arte quanto a peça em si. Porque deram à fonte, nome que foi dado por um crítico e não pelo artista, validade e peso.
Isso é arte? - A Fonte - Duchamp ou Elsa?

O cenário detrás do urinol é a obra “The Warriors” de Marsden Hartley.
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

A fonte foi realmente uma ideia de Duchamp?

Se “A Fonte” já não fosse o bastante polêmica. Lembrando que a ideia original é de 1917, no ano passado surgiram novas pesquisas e rumores que alegam que na verdade teria sido obra de uma mulher: Elsa Hildegard, Baronesa von Freytag-Loringhoven (Winoujcie, 12 de julho de 1874 – Paris, 15 de dezembro de 1927).

A baronesa dadá Elsa

Elsa foi uma artista alemã que emigrou como tantos outros artistas para New York, assim como Duchamp, quando as coisas começaram a ficar feias na Europa.

Poetisa, artista plástica, sua vida refletia sua obra e vice-versa. Aliás, muitos anos antes de se falar em body art, ela já usava seu corpo como obra de arte. O que fez com que fosse presa várias vezes por vestir-se como homem ou não vestir-se.

Por essas e outras, Elsa von Freytag-Loringhoven é considerada a dadaísta até a medula. Sua obra “God” é vista como a primeira obra do Dadá americano. Trata-se de uma peça elaborada com um cano de um urinário retorcido e erguido como um objeto fálico que se dirige ao céu.
Isso é arte? - A Fonte - Duchamp ou Elsa?
Na revista “The Little Review” se podia ler, Elsa é “a única pessoa viva no mundo que viste Dadá, ama Dadá e vive Dadá”.

Elsa e Duchamp

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"
Parece ser e isso é apenas uma fofoca, que era apaixonada por Duchamp. E recentemente se redescobriram umas cartas do francês. Em uma delas destinada a sua irmã ele afirma:

“Uma de minhas amigas sob o pseudônimo R. Mutt, mandou (para a exposição que trato no vídeo) um urinol de porcelana como se fosse uma escultura. Não é para nada indecente. Não havia nenhuma razão para rejeitá-lo. Mas o jurado decidiu não expor semelhante peça”.

Ainda vou falar mais sobre essa polêmica e sobre a artista numa nova série do canal de YouTube. Mas se você quiser saber mais sobre a artista, pode adquirir sua biografia, clicando aqui.

E também por enquanto te deixo outro vídeo sobre o tema. Vídeo em inglês com legendas em espanhol.

Para saber mais, pode descarregar a tese de Gloria Durán Hernández-Mora em pdf:
Dandysmo y contragénero | La artista dandy de entreguerras: Baronesa Elsa von Freytag-Loringhoven, Djuna Barnes, Florine Stettheimer, Romaine Brooks.

Veja todos nossos posts de ARTE, clicando aqui.

Capítulo 2 – Pré-impressionismo: A confrontação da realidade, 1820 – 1870

No nosso Guia de leitura do livro “Isso é arte?”, chegou a hora de entender a quem “devem” diretamente os impressionistas. Em outras palavras, quais foram suas fontes diretas de inspiração.
– O pai do romantismo na pintura: Théodore Géricault (1791 – 1824)

– O homem que criou a “liberdade” – Delacroix

Courbet, o artista que até hoje continua sendo censurado. Isso mesmo, tente postar a imagem da sua famosa obra “A Origem do Mundo” no Instagram ou no YouTube para ver o que acontece 😉 Vídeo restringido e lista negra no Instagram.

Isso não te lembra aquela velha canção:

“Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais”

Manet, impressionista? Mais ou menos

– “Bebedor de absinto” (1858-1859): Gliptoteca Ny Carlsberg | Copenhague
Isso é arte - Capítulo 2: antes do impressionismo

– “O almoço na relva” (1865–1866): Museu D´Orsay | Paris

Quando Gompertz trata do “Almoço na relva” assinala outra obras e artistas:
– Gravura de Marcantonio Raimondi (1480 – 1534) baseada em um obra de Rafael Sanzio (1483 – 1520)
Isso é arte - Capítulo 2 - Will Gompertz
– “O juízo de Páris” (1632-1635) de Peter Paul Rubens: National Gallery | Londres.
Isso é arte - Capítulo 2 - Will Gompertz
– “Concerto campestre” (1509) e “A Tempestade” (1506 – 1508), de Giorgione | Museu do Louvre (Paris) | Accademia (Veneza)
Isso é arte - Capítulo 2: antes do impressionismo

– “Olympia” (1863) de Manet (1832 – 1883)

Tecnologia e Impressionismo

Will Gompertz acertadamente também nos lembra dos avances tecnológicos que viveram essa geração, entre eles:
– a criação dos tubos de tinta;
– a fotografia;
– os trens e uma nova velocidade em incremento;
– E por que não, o escritor (para ele) mais importante entre os artistas que vão gerar a primeira grande revolução que vai levar a arte moderna. Quem? Charles Baudelaire com seu ensaio “O pintor da vida moderna”.


Clique aqui e saiba mais sobre o livro de Baudelaire. Também pode se interessar, pelos escritos de arte de Baudelaire, clique aqui.
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Capítulo 3 – Impressionismo: Pintores da vida moderna, 1870-90

Prá quem chegou por aqui há pouco tempo, tenho um programa inteirinho dedicado ao movimento impressionista. São 13 vídeos onde analiso desde os antecedentes até em detalhe cada um dos principais protagonistas.

E quais são as obras que ele cita nesse capítulo?

– “Impressão. Sol Nascente” (1872) de Monet | Museu Marmottan | Paris
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

– “Uma Olympia moderna” (1873-1874) de Cézanne | Museo d’Orsay | Paris
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

“A geada” (1873) de Pissarro | Museu D´Orsay | Paris
Isso é arte - Capítulo 3 - Impressionismo

– “La Grenouillère (1869), tanto a de Monet como a de Renoir | MET (New York) e Nationalmuseum | Estocolmo
Isso é arte - Capítulo 3 - Impressionismo

– “Chuva, vapor e velocidade” (1844) de Turner | National Gallery | Londres
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

– “O Tames a seu paso por Westminster” (1871) de Monet | National Gallery | Londres
Isso é arte - Capítulo 3 - Impressionismo

– “A Grande Onda” (1830/2) de Hokusai | Como é uma gravura, há algumas cópias dispersas pelo mundo.
Isso é arte - Capítulo 3 - Impressionismo

– “Estação 53 de Otsu” (1848/9) de Hiroshige | Como é uma gravura, há algumas cópias dispersas pelo mundo.
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

– “A classe de dança” (1874) de Degas | Museu d´Orsay | Paris

Veja as fotografias baseadas nas obras de bailarinas de Degas: https://www.turomaquia.com/bailarina-reproduz-obras-de-degas/.

– “A carruagem nas corridas” (1869) de Degas | Museum of Fine Arts | Boston
Isso é arte - Capítulo 3 - Impressionismo

Capítulo 4 – Pós-impressionismo: Ramificação, 1880 – 1906

Guia de leitura do livro "Isso é arte?" Gompertz começa esse capítulo nos contando da onde surge o nome: pós-impressionismo.

É fascinante que seja a necessidade de Roger Fry em criar um nome para uma exposição, que desemboque nesse termo utilizado até hoje, para identificar um grupo de artistas que desenvolveram projetos singulares a partir do movimento impressionista.

The Grafton Galleries – a galeria que viu nascer o pós-impressionismo

Essa exposição se realizou em 1910 nas Grafton Galleries em Londres. O mesmo local que recebeu a primeira exposição dos impressionistas na cidade em 1905. Exposição comissionada pelo Marchand que já estudamos nos capítulos anteriores. Paul Durand-Ruel.
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"
Na realidade, Roger Fry realizou duas exposições pós-impressionistas. Na primeira em 1910, apresentou obras de Manet, como a figura central do impressionismo e os pós-impressionistas: Van Gogh, Gauguin e Cézanne. Além do fauvista, Matisse e do cubista, Picasso.

A segunda aconteceu em 1912 com um enfoque um pouco diferente, mas ambas foram um fracasso, o pessoal ia na galeria pra se matar de rir do que estava exposto. Os críticos dos jornais gritavam que estavam querendo matar a arte européia.

Mas a exposição de 1910 chamou atenção de um grupo muito particular de Londres, que chamou Roger Fry para unir-se a eles, o Grupo de Bloomsburry.
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

Para saber mais:
1. Grupo de Bloomsbury e a exposição.2. Artigo (em inglês) sobre a exposição de Roger Fry: inclui as obras expostas.3. Sobre a exposição e o grupo Bloomsburry.4. Sobre a artista Duncan Grant.

Vincent Van Gogh (1853 – 1890)

O primeiro artista pós-impressionista apresentado por Gompertz é Van Gogh. Entenda melhor a cor nesse artista no vídeo do Top100Arte.

Van Gogh – obras citadas

“Os comedores de batatas” (1885) | Museu Van Gogh | Holanda

Van Gogh manteve com seu irmão uma contínua correspondência, o que nos permite conhecer mais a fundo sua obra.

Por exemplo, em uma das cartas ele fala sobre essa, que é considerada sua primeira obra-prima:

“Apliquei-me conscientemente em dar a ideia de que estas pessoas que, sob o candeeiro, comem as suas batatas com as mãos, que levam ao prato, também lavraram a terra, e o meu quadro exalta portanto o trabalho manual e o alimento que eles próprios ganharam tão honestamente”.

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

“A Casa Amarela” (1888)| Museu Van Gogh | Holanda

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

“Natureza morta com prato de cebolas” (1889) | Kröller-Müller Museum | Holanda

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

“O semeador” (1888) | Kröller-Müller Museum | Holanda

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

“O Café Noturno” (1888) | Galeria de Arte da Universidade Yale | Estados Unidos & “Os Girassóis” (1888) | Neue Pinakothek Munich |Alemanha

Vicent Van Gogh & Francis Bacon

“Noite estrelada sobre o Rhône” (1888) | Museu d´Orsay | França

Guia de leitura do livro "Isso é arte?"
A noite foi uma tema recorrente para o artista. Ele realizou vários estudos e descreveu seu processo ao pintá-la em uma de suas cartas:

“… finalmente as estrelas à noite, na verdade eu as pintei à noite, com uma lâmpada de gás. O céu é azul esverdeado, a água é azul-rei, as áreas de terra são de cor clara. O povoado é azul e violeta. A luz das lâmpadas é amarela e seus reflexos vão de um ouro avermelhado a um verde como bronze. Já a Ursa Maior tem um brilho verde e rosa que, em comparação com o amarelo forte das lâmpadas, é pálido e discreto. Duas figuras coloridas de um casal de namorados em primeiro plano”.

“O Quarto em Arles ” (1888) | The Art Institute of Chicago | Estados Unidos

Há outra versão no Museu d´Orsay (França). Para saber mais, assisti o próximo vídeo 😉

Van Gogh e o japonismo

Gompertz deixa bem clara a influência das gravuras japonesas nessa segunda geração de artistas.

O que também é fácil constatar nas cartas de Van Gogh. Em 1888 ele escreve a Theo:

“Invejo nos japoneses a extrema limpidez que tudo tem em seu trabalho. Ele nunca é entediante, e nunca parece feito às pressas. Seu trabalho é tão simples quanto respirar, e eles fazem uma figura em algumas pinceladas seguras tão facilmente como se abotoa um paletó.”

Van Gogh e o impasto

Ele aplicava grandes quantidades de tinta na tela com ajuda de uma espátula ou com o dedo. O que nos lembra Gompertz que Velázquez e Rembrandt também já haviam feito. É claro que os tons do barroco eram outros e que o impasto com as cores claras e vibrantes de Van Gogh tinha ainda mais dramatismo.

“Ele não queria que a tinta simplesmente colorisse parte da pintura, mas que fizesse parte dela” (p. 82).

Van Gogh e os que vieram depois: Edvard Munch e Francis Bacon

Além desses artistas, Gompertz também compara El Greco e Van Gogh. Apontando quais seriam suas semelhanças e a grande diferença que leva Van Gogh a ser uma das grandes vigas do que seria dali adiante a arte moderna.

Edvard Munch (1863 – 1944) tal qual Van Gogh seria um artista pré-expressionista. Três anos após o falecimento do artista holandês, o norueguês pintou sua pintora mais famosa – “O Grito” (1893).

Francis Bacon também foi expressionista e um apaixonado por Van Gogh. E no livro, o autor nos fala de uma obra que eu já analisei no Top100Arte.

Will Gompertz ainda cita “Homenagem a Van Gogh” (1985). Essa tela pintada por Francis Bacon, esteve envolvida numa polêmica: https://www.standard.co.uk/news/van-gogh-tribute-must-be-returned-to-bacon-s-estate-6461979.html

Também é interessante ver os estudos realizados entre 1956 e 1957 para um retrato de Van Gogh. Ele realizou 6 estudos e aqui trago 3 deles. Talvez ele tenha sido inspirado por um filme que estreiou em 1956, onde Kirk Douglas encarnava Van Gogh – “Lust for Life”. E olha nas fotos, quem representou a Gauguin 😉
Vicent Van Gogh & Francis Bacon
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

O estudo para retrato de Van Gogh I, mede 1,52 x 1,17 metros. Pertence a University of East Anglia (Reino Unido).
O estudo para retrato de Van Gogh III, de 1957, que mede 1,98 x 1,37 metros e pertence ao Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Smithsonian Institution, Washington, D.C. (Estados Unidos).
O estudo para retrato de Van Gogh III, de 1957, pertencente a Tate Modern (Reino Unido).

Para saber mais sobre Van Gogh

Para saber mais sobre Francis Bacon:
1. Catálogo exposição de Francis Bacon no MOMA (1989) fala sobre os estudos do retrato de Van Gogh.2. Site com diversas obras de Francis Bacon.

Gauguin

Guia de leitura do livro "Isso é arte?" Van Gogh e Gauguin se conheceram em Paris, conviveram por 6 semanas em Arles. Sabe aquela amizade que te faz ser melhor? Pois foi assim, em Arles se propunham a ir além das fronteiras do Impressionismo.

Sabemos que o final dessa estância em Arles foi trágica, mas nenhum dos dois saiu indiferente dessa experiência!

Gauguin e as cores

Gompertz afirma: “Gauguin carregava nas cores a serviço da narração de histórias” (p. 88).

Para ilustrar essa afirmação ele traz a obra “A visão depois do sermão”, também conhecida como “A luta de Jacó com o anjo”. Um óleo sobre tela de 1888, que atualmente se encontra na National Gallery of Scotland (Reino Unido).
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“A visão depois do sermão” e a Carta a Van Gogh

Esse quadro ele fez antes de encontrar com Van Gogh em Arles. Mas ele escreveu ao amigo no dia 26 de setembro de 1888 falando sobre ele:

“Acabo de pintar um quadro religioso, muito mal feito, mas pintá-lo me resultou interessante e eu gosto dele. Queria presenteá-lo à Igreja de Pont-Aven. Naturalmente, não aceitaram o quadro.

Um grupo de bretãs rezando; trajes em preto muito intenso. As toucas brancas e amarelas, muito brilhantes. As duas toucas da direita são como dois capacetes monstruosos. Uma macieira atravessa a tela, roxa escura. A folhagem feita de massas, como nuvens verde-esmeralda, com os interstícios verde amarelado pela luz do sol. O terreno (vermelho puro). Na igreja, se escurece e se torna um marrom avermelhado.

O anjo está vestido com um violento azul ultramarino e Jacó de verde-garrafa. As asas do anjo são puro amarelo cromo n ° 1. O cabelo do anjo, cromo n. 2 e a pele dos pés, laranja. Acho que consegui dar às figuras uma grande simplicidade rústica e supersticiosa. O conjunto é muito austero. A vaca debaixo da árvore é muito pequena em comparação com a realidade e está pulando.

Para mim, nesta foto, a paisagem e a luta existem apenas na imaginação das pessoas que estão orando após o sermão, então existe esse contraste entre as pessoas reais e a luta, em sua paisagem irreal e desproporcional.”

Ele pintou essa obra em Pont Aven. Suas obras se consideraram simbolistas, porque a cor era utilizada para expressar, assim como alguns elementos inseridos em seus quadros.

Gauguin e a colonia de artistas na Bretanha

Os artistas já haviam anteriormente formado colônias para pintar ou se inspirar entre eles. Já vimos na série “Viajando no Impressionismo”, a Escola de Barbizon.

Na Bretanha, no norte da França vários artistas se reuniram em Pont-Aven, no se conhecerá como Escola de Pont-Aven.

Gauguin passou várias estâncias por lá, a primeira vez no verão de 1886. Aliás, os artistas costumavam ir para lá no verão.

Por essas bandas se encontraram nosso Gauguin e outro jovem pintor, Emile Bernard, que lhe vai inspirar a pintar ao estilo conhecido como cloisonismo. Nele o artista realiza contornos bem marcados e assim separa as zonas de cor pura e intensa. Esse estilo, por sua vez, inspira-se nos vitrais da Idade Média e também nas gravuras japonesas. Nosso já conhecido “japonismo”.

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O Cristo Amarelo | 1889 | Albright-Knox Museum (Estados Unidos) & Auto-retrato com Cristo Amarelo | 1890/1891 | Museu D´Orsay (França)

Gauguin no Taiti

Bastante polêmico esse período no Taiti, que vamos ver no video do Youtube. Nele Gauguin produziu pinturas com grandes massas de cor.
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"
Por que está brava? (No te Aha Oe Riri) | 1896 | Art Institute of Chicago (Estados Unidos)

Para saber mais sobre sua vida no Taiti, compre e assista ao filme: Gauguin, viagem ao Taiti (R$ 19,90).

Gauguin e Mario Vargas Llosa

Você sabia que Gauguin inspirou Mario Vargas Llosa a escrever: El Paraíso en la otra esquina.
Tanto que ele seguiu os passos do artista, vale a pena ler seus artigos sobre essa jornada no jornal “El País”: https://elpais.com/elpais/2012/10/31/opinion/1351703062_549131.html | https://elpais.com/diario/2002/01/20/opinion/1011481207_850215.html.

Georges Seurat – Ciência e Arte

Guia de leitura do livro "Isso é arte?" Ele pegou certas características do impressionismo, mas ao mesmo tempo, ele queria dar ordem, estruturar suas composições.

Tanto que Gompertz afirma que enquanto Monet buscava captar o instante, um determinado momento, Seurat necessitava captar a intemporalidade.

Para isso vai encabeçar um movimento que se conhecerá como “pontilhismo”. Ele estudará a cor e a partir de seus estudos começará a aplicar pontos de pigmento puro, que serão misturados pelos nossos olhos. Ele levará a técnica impressionista a outro nível.

Banhistas de Asnières | 1884 | National Gallery of London (Reino Unido)

Essa foi sua primeira grande obra. Ainda não é pontilhista, mas ele já havia começado a estudar a forma em que as cores brilham, descobrindo por exemplo que o tamanho das telas poderia ajudar a que elas respirassem, que tivessem mais espaço e que assim a sensação de brilho fosse maior.
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A National Gallery também abriga alguns dos estudos que ele realizou para essa obra. Ele costumava realizar seus estudos ao ar livre, de frente para o motivo, mas desenvolvia suas telas finais no estúdio, diferentemente daqueles impressionistas mais puros.
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"
Guia de leitura do livro "Isso é arte?"

Para entrar no mundo de Seurat – um pouco de Teoria da Cor

Seurat adentrou na teoria da cor, começou por 3 clássicos, mas estudou muitos outros.

Clássicos da Teoria da Cor

– “Óptica” (1704) de Isaac Newton;
– “Teoria das Cores” (1810) de Goethe;
– “Sobre a lei do contraste simultâneo das cores” (1839) de Chevreul.

Para você entender, alguns termos empregados quando falamos de cor:
– Cores primárias: não podem ser decompostas em outras cores. Portanto não são obtidas de misturas e por sua vez quando combinadas, geram outras cores.

Importante: podem ser diferentes, dependendo do sistema aplicado: RGB, CMY, RYB. Tradicionalmente eram o vermelho, amarelo e azul.

– Cor secundária: surge da mistura de duas cores primárias.

– Cor terciária: surge da mistura ou combinação de uma cor primária e outra secundária.

– Cores complementares: estão frente a frente no círculo cromático, por exemplo, o azul e o laranja. São cores contrastantes.

– Cores análogas: estão uma seguida da outra no círculo cromático, geram o famoso tom sobre tom.

– Tríade: combinação de 3 cores que são equidistantes entre si e que conformam um triângulo no circulo cromático. Outra forma interessante de combinar as cores.
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“Tarde de Domingo na Ilha Grande Jatte” | 1884/1886 | Art Institute of Chicago (Estados Unidos)

O museu que abriga essa obra-prima de Seurat realizou em 2004 uma grande exposição dedicada a todo o processo do artista e o site dessa mostra pode ser visitado: https://archive.artic.edu/seurat/seurat_overview.html. Clicando nos enlaces desse site, poderá ver todos os estudos preparatórios realizados por Seurat.
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A National Gallery of London também possui alguns estudos realizados para essa obra.
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Você lembra que …
essa tela apareceu no filme “Curtindo a vida adoidado”?!

meus Livros de Arte

Madri - Guia do Prado
Guia Louvre
Guia de Museu | Guia Galeria degli Uffizi

2 Comentários

  1. Roberta

    Você é maravilhosa Patrícia! Estou atrasada na leitura, pois descobri há dias atrás sobre esse projeto incrível…. Mas está muito completo seu conteúdo! Espero participar das próximas lives. Beijão! Parabéns!!!!

    responder
    • Patricia de Camargo

      Roberta, brigaduuuu pelo carinho! O legal é que nesse caso a leitura flui mais fácil do que no Gombrich, então nem se preocupe que você já já se coloca em dia! Te espero no dia 27 de fevereiro ?
      Beijos

      responder

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  • Dica Madri: como prometi hoje lhes deixo a dica de um hotel econômico na cidade. Queria fazer um vídeo como o de Londres, mas acontece que perdi várias imagens dessa última viagem, só me sobrou essa foto de "look do dia" no quarto 😂⁣
⁣
Peguei umas fotos de divulgação, mas lhes comento que são de quartos duplos, o meu era individual e era bem menor. Mas tinha janela para o pátio interno do hotel, mas por exemplo não havia porta do quarto para o banheiro. Em contrapartida era ótimo porque tinha ducha efeito chuva, cafeteira e cápsulas de café, madalenas de cortesia, ar-condicionado, pisos e madeira, televisão, espaço para trabalhar, mas tudo isso bem condensado 😉⁣
⁣
O hotel está num edifício antigo mas com elevador ao lado do Museu do Romanticismo, ou seja, a localização é fantástica! Duas paradas de metrô estão próximas: Alonso Martínez e Tribunal.⁣
⁣
👁‍🗨 Para ver mais fotos e outras opiniões, clique no link da bio 🤟🏽⁣
⁣
#hotelMadri #madrilovers #hotelBBBEuropa #hotelBBB #hotelemMadri #turoMadri
  • Dica Londres: caminhada recomendada inclusive para sedentários 😂 1,3 km entre o Southbank Centre a Tate Modern junto às margens do rio. Essas imagens são de janeiro, imagina num dia lindo de sol e com um calorzinho?!⁣
⁣
Almocei com a @helorighetto no Ping Pong do Southbank e de lá fui sozinha demoradamente até essa meca da arte moderna e contemporânea. lembrando que a entrada no museu é gratuita, exceto para as exposições temporárias. Mas sempre sugiro uma doação por mínima que seja, já que a união faz a força e manter um centro de arte como esse é caro prá dedéu.⁣
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E aí, qual é tua caminhada favorita em Londres? É apta para todas as idades? Conta prá mim na caixa de comentários 😘⁣
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#londonlovers #caminhadaLondres #oquefazeremLondres #turoLondres #mapadelondres
  • Paguei 60 libras a diária nesse hotel localizado do lado da Abadia de Westminster #londonlovers #hotelbbblondon #hotellondres
  • Publiquei a última parte do guia de leitura desse mês. Lembre que nosso bate-papo sobre ele vai rolar no dia 27 de fevereiro às 19:30 horas no YouTube - Patricia de Camargo. Ah, é o guia vc encontra no www.turomaquia.com 🤓

#lendoarte #seurat #nationalgalleryoflondon #pontilhismo #historiadaarte #artemoderna #issoearte
  • Sentados no chão do café da Galeria degli Uffizi tomando um aperol spritz após a visita. E você acha que a gente tá com cara de infeliz?! 😂😂 Esse é um baita museu, mas que tem um café minúsculo, então não tivemos muita alternativa e estávamos mortos depois de 6 horas entre obras 🤷🏽‍♀️ Qual foi o café ou restaurante que você mais curtiu dentro de um museu?

#galeriadegliuffizi #firenzelovers #artmuseum #museu #italyart
  • Mostro pouco minha cidade por aqui. Mas uma das minhas resoluções de ano novo é resolver essa pendência 🥳 
#laspalmasdegrancanaria #vegueta #grancanarialovers🖤 #canaryislands

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