Guias de Viagem e Arte

 
 
maio 03 2010

Visitar ou não tal museu?! That´s the question! (ou uma maneira de se divertir durante a visita)

Museu D´Orsay

Museu ou não, tenha em mente que não existem visitas obrigatórias. Ninguém pode ser obrigado ir a um lugar durante suas férias. No trabalho, na escola, em família, existem “acontecimentos obrigatórios”, mas nas férias?! É verdade que existem pessoas que estão à espreita na chegada, apenas para dizer, “ah, você não foi ao Louvre?!” (com aquela cara de espanto), para ditar sentença: “Então você não conheceu Paris”. Entrar em um museu por este motivo é como fazer algo que você detesta só porque alguém apostou que você não faria. Em poucas palavras: perda de tempo, e sejamos sinceros: um pouco estúpido!

Infelizmente o museu anda muito escolarizado. A maioria das pessoas lembram daquelas visitas chatas em que um guia te inundava de dados, e a professora de quinhentas tarefas. Resultado, não sobrava tempo para apreciar e se divertir. Além do que, antes de entrar, o tal guia enumerava um milhão de coisas que não estavam permitidas, que somadas às advertências da professora, dava a impressão que se entrava em um laboratório de manipulação de material tóxico. Portanto, era melhor até respirar menos.

Museu do Louvre - Lojinha

Esqueça todos estes traumas. Limpe, na medida do possível, tuas referências museísticas. Entre no teu próximo museu de peito aberto! Prá começar nada de imposições. Caso seja um museu gigantesco, vá à loja, dê uma folheada no guia ilustrado e veja o nome dos pintores que mais te chamam atenção. Anote num pedacinho de papel, vá ao serviço de informações do museu, e peça que o atendente te localize no mapa onde estão expostas as obras deste pintores. Vá ao seu encontro, e passe sua primeira meia hora com elas. Veja a reação das demais pessoas diante delas. Tente guardar na memória:

– cada linha,
– as mudança de cor,
– tuas sensações (sejam boas ou ruins!),
– o ritmo das figuras,
– por onde “entram” teus olhos e a forma que eles vão atravessando a tela ou navegando pela escultura ou objeto.

Museu d´Orsay
Como você vai descobrir a forma da pincelada do artista, se apenas passa o olho pelo quadro e sai correndo para a próxima sala?!Paul SignacAlbert-Ernest Carrier Belleuse
Ou descobrir todos os detalhes de uma escultura sem dar a volta ao seu redor!?
Albert-Ernest Carrier Belleuse

Depois desta primeira “encarada”, olhe a etiqueta, para reflexionar:
-quando a obra foi criada, como era o mundo naquela época,
– se você daria o mesmo nome,
– quantos anos tinha o artista no momento da criação,
– se você conhece a técnica ou o material que ele utilizou.

Depois deste encontro, vá à cafeteria. Converse sobre o que você viu, é muito mais legal do que falar do assunto óbvio do clima. Nada de tomar um café rapidinho. Depois é chegado o momento de se deixar surpreender, passe mais meia hora ou quarenta e cinco minutos passeando pelo museu. PASSEANDO, como você faz num parque, mas com o up-grade de ter toda aquela beleza ao teu redor. Apenas pare diante daquelas obras que te chamem atenção. Anote o nome da obra e do artista. Informação você pode conseguir na tua casa, mas ter este tete-a-tete vai saber quando?!

Na saída, compre algo na loja do museu. Nem que seja o cartão-postal da tua obra favorita. Em casa, sentado na tua cadeira predileta, pesquise sobre o artista ou a obra. Pode estar certo, que na próxima visita você se sentirá mais confortável e verá que entender de arte é apenas uma questão de tempo, e de olhar sem prejuízos detenidamente, dando chance para que a obra te leve a “mares nunca dante navegados”!

Ainda hoje, ir a um museu não significa só olhar as obras expostas, é muito mais que isso … E em breve, de visitante iniciante a visitante avançado de museu!

Madri - Guia do Prado
Guia Louvre
Guia de Museu | Guia Galeria degli Uffizi

fotos: turomaquia_2010 (Realizadas no Museu do Louvre, D`Orsay e Orangerie).

20 Comentários

  1. Natalia

    Nossa! Sou uma dessas pessoas que até gostam de museus mas que sinceramente, eles não me dizem muito. E só de ler suas dicas, vejo que realmente não há um estímulo para que se desenvolva uma percepção maior da arte, é tudo muito guiado, automático. E então, a gente se perde, assim como o interesse.Assim que visitar um museu, vou seguir esses toques, acho que o resultado será bom, depois eu conto!

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  2. pcdrocha

    Pat, acho que, mesmo que se tenha pouco conhecimeto de arte ou sobre os pintores, a gente deve deixar a obra nos emocionar. Estar aberto para essa emoção. Me lembro a primeira vez, com menos de 20 anos, que entrei na sala dos Impressionistas dos Louvre e me deparei com as bailarinas do Degas. Quase chorei de emoção, fiquei apaixonada. Desde então estudei o pintor, coleciono gravuras dele compradas em todos os museus que visitei e sempre que vou a Paris, dou uma passadinha no Louvre apenas para olhar aquela sala. Depois, me apaixonei por vários outroa artistas, mas Degas foi o meu primeiro amor….rsrsr.Amei o texto. Parabéns!Paula

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  3. Roberta Ristori

    Amei o texto! Acho que você conseguiu traduzir de um jeito bem bacana e leve os "detalhes" que farão com que as pessoas observem tudo aquilo de um outro modo, menos escolar, mais maduro, mais emocionante e divertido! Particularmente, sou apaixonada por obras de arte, embora não seja uma experto no assunto, é isso que vc. falou mesmo, de sentir. Parabéns pelo excelente post!Abraço e ótima semana!

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  4. Priscila (Inquietos)

    Pat, adorei seu texto. Eu diria que há museus que emocionam e museus que não emocionam, e isso muda de pessoa para pessoa. Cada museu toca uma pessoa de maneira diferente da outra.E além disso há os museus de arte, os de história natural, etc. Geralmente gosto de saber a história de cada obra, por isso costumo alugar os audioguides. Para mim fica tudo mais interessante com eles, mesmo que tenham um tom professoral.O meu museu preferido é um pequenininho em tamanho, mas gigante em emoções: Museu da Frida Kahlo, em DF.

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  5. Marcie

    Eu sou rato de museu. Quando posso, faço roteiros de viagens baseados nos museus que poderei visitar, nas exposições em cartaz. É um alimento para minha alma. Preciso dele. Não sou nenhuma "entendida", é puramente instintivo, me faz muito bem.E fico perplexa de ver pessoas de cara feia, indo por obrigação. Por que ir, então? E culpo as escolas por esta falta de amor às artes.

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  6. Mari Campos - Pelo Mundo

    Eu também, como a Marcie, sou rata de museu e não me conformo com as pessoas de cara feia dianta de obras maravilhosas – me conformo menos ainda que haja gente que simplesmente não suporte visitar um museu. Vou ao Louvre todas as vezes que vou a Paris, assim como ao Prado e ao Reina Sofia em Madri, por exemplo. Mas… como cada um é cada um… rs…. acho seu texto super válido para as pessoas que acham que para gostar de museus é preciso "entender" de arte; e apoio que não se faça o que não se gosta nas férias só por obrigadação. 😉

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  7. Vini

    Patrícia amei o que você escreveu, você conseguiu me transportar para um museu sem mesmo eu estar nele, eu adorei essa idéia de analisar a obra com calma e cuidado, e pensar nestes detalhes como, a idade do pintor, o período e muitas outras coisas, sem se preocupar com o próximo quadro, é realmente lamentável ter que ir em um lugar destes onde foi feito pra se apreciar, sob ordens e tarefas extremas. A escola realmente se mostra "capenga" nesse sentido …Adorei, hoje o artetropia migrou para cá e me sinto feliz em ver todas essas informações !Um abraço, e mais uma vez, parabéns !

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  8. Dicas de Viagem

    Oiii!! Em primeiro, parabéns pelo post! Eu concordo que você não deve ir a um museu só porque te falaram e ir por obrigação. Mas também acho um absurdo quando eu leio: "ah, mas eu vejo tal obra na internet, no livro tal..". Se fosse assim, não precisaria haver museus.. Não dá para comparar de ver uma obra vista em um livro e ao vivo. E acho que só você indo no museu para dizer o que você realmente achou. Eu gostei bastante do Museu de Historia Natural de NYC, meu irmão foi e não curtiu muito! Para mim, ao menos 1 museu é incluso em viagens.. Com crianças, eu creio que é válido, porém em outro ritmo, não ficar 50 horas em cada obra. E tem uma coisa que voce publicou que eu faço com frequencia: quando a obra foi criada, como era o mundo naquela época.. Foi o que fiquei pensando quando vi o David em Florença.. Bjos e boa semana!

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  9. Mirella

    ARRASOU nesse post…Acho que á assim mesmo que devemos curtir um museu. Confessar que as vezes fujo de museus ou sempre prefiro os que focam em um único tema ou um único artista/pintor/escultor, pois parece que eu sempre saio de lá com a sensação de aprendizado, mas quando vou aos grandões, sempre me sinto perdida! Adorei a dica :)bjs

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  10. Patricia de Camargo

    Natalia, eu tenho mais dicas para fazer mais divertida a visita a um museu. Trabalhei alguns anos como arte-educadora em museus de Curitiba, como professora de artes e produtora de material didáctico. O que vi é que todo mundo pode desfrutar de qualquer museu, desde (como você disse) o estímulo seja o correto!Espero te ver mais por aqui!Beijos

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  11. Patricia de Camargo

    Paula, é assim mesmo, primeiro deixar-se levar e poucos a poucos conhecer mais sobre arte para poder desfrutar de todos os aspectos!Roberta, eu adoro tanto passear por museus, que gostaria de contagiar a todas as pessoas! Por isso escrevo no Artetropia!Beijos às duas e uma semana cheia de boas surpresas!

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  12. Patricia de Camargo

    Priscila, eu também gosto bastante do audio-guias. Mas prefiro aqueles que te dão opções de escolher entre uma informação leve ou mais profundizada, como o de Arts e Métiers de Paris. O novo do Louvre é incrível!Beijos

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  13. Luisa

    Patricia, vc, quando fala de arte, se supera! Embora ande meio relapsa com os comentarios, nao perco um unico post do Artetropia e vc nao faz ideia do quanto eu aproveito mais as visitas aos museus com as suas dicas!Como a Mirella, eu tb gosto muito de mostras pequenas e temporarias sobre um unico artista ou sobre um unico assunto ou estilo. Pra mim, esse è um otimo modo de entender, aprender e me emocionar com a arte: em doses homeopaticas! E mostras pequenas me ajudam tb a "me achar" quando vou a museus grandes.Bjs

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  14. Patricia de Camargo

    Marcie, eu também tento encaixar uma grande exposição durante uma viagem, já que estas mostras temporárias são oportunidades únicas!Quanto à culpa, a escola realmente tem uma tendência mais a afastar as crianças dos museus pelo tipo de atividades que promove, mas os pais não ficam atrás!Beijos

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  15. Patricia de Camargo

    Vini, quando era monitora de museu, eu presenciei a maneira como se impunham tarefas excessivas e sem sentido aos escolares. Também acredito que muitos professores não são devidamente acessorados pelos departamentos educativos dos museus!Dicas de Viagem,realmente ver ao vivo e a cores é uma coisa louca! A experiência deste contato não pode ser substituída pela digitalização das imagens. São coisas diferentes. Uma vivência não exclui a outra. Por exemplo, ver no Prado, "As Meninas", arrepia até o último fio de cabelo, e depois em casa você pode ver detalhes que só o Google Earth pode te proporcionar! Mas já não é este experiência sensorial, e sim muito mais relacionada com a curiosidade, com a investigação!Beijos aos dois

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  16. Patricia de Camargo

    Mirella, você prefere os museus monotemáticos porque costumam ser bastante mais claros e didáticos, eu também desfruto muito com eles. Nos museus gigantescos, só o obstáculo da desorientaçao espacial já faz com que os primeiros 15 minutos sejam utilizados apenas para entender onde estamos e para onde vamos!Adorei te ver de novo por aqui, muitos beijos

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  17. Martinha

    Ahhh que achei outro post tocante..Eu não sou nenhuma expert em obras.. mas sou "rata" de museu.. adoUro!! passo horas e horas dentro.. fazendo o que??!! boa pergunta.. depende o meu humor do dia..Ahh sim.. sou aquela que posso estar triste, chorando horrores, e vou p/ o museu refrescar a cabeça.. e funciona muito bem, saiu de là renovada..Mas isso muitas vezes não é dos melhores, pois se eu não estar com meu espirito de boa, posso achar que nada me agradou e nunca + volto ao museu.. (sim!! isso jà aconteceu)Minha "menina dos olhos" no quesito museu é o Louvre.. desde que lembro da existência da Pirâmide, sempre quis ir.. mas na época era um sonho MUITO distante.. e eis que anos depois, caiu de paraquedas exatamente na França.. e não tem.. podem falar o que quiserem, que é muito turistico, que é comercial, blablabla, mas vai ser o n°1 4ever.. tanto que jà fui 47x.. **choque** e tenho certeza que irei outras 1000.. Não, ainda não vi todas as obras.. ainda não fui em vàrios espaços.. mas cada ida é diferente da outra.. tem vezes que analiso tudo com calma.. outras fico desenhando.. outras tiro 5000 fotos.. em outra, a modelo sou EU.. adoro ficar analisando o povo.. as reações diferentes são incriveis.. sem falar que minha relação com as Mumias e Sarcofagos vai ser um amor eterno.. sempre quis ser Indiana Jones!! =DOutro museu que AMO é do Magritte em Bruxellas.. é pequeninho mas super acolhedor.. e desde que vi o filme "Thomas Crown – A arte do crime" me encantei.. a cena final, é otima! Levei meus pais là para conhecer.. meu pai se encantou.. Ahh, à partir do ano que vem, o museu farà exposições das relações artisticas de Migretti com Miró, André Breton, Salvador Dalí e outros que esqueci.. Vai ser super interessante..Ah, e na minha proxima ida ao Louvre seguirei suas dicas, dai te conto como me sai..=))

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  18. Heloisa Righetto (@HeloRighetto)

    sensacional, Pat!

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  19. Heloisa Righetto (@HeloRighetto)

    eu sempre compro um catálogo do museu que visitei ou uma lembrancinha que tenha a pintura q gostei mais, esse tipo de coisa sempre ativa minha memória: é olhar pro catálogo e lembrar da visita e do que mais gostei no museu!

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  20. Camila Torres

    Nossa, Patricia, amei seu texto! Amo museus também e, ainda bem, consegui passar este amor ao meu marido, que me acompanha nas visitas. Mas não consigo explicar pros amigos como curtir como eu, então vou compartilhar seu texto pra todo mundo!
    Adoro fazer esta análise que você sugeriu pra arte contemporânea. Não entendo tanta coisa, mas acho que as visitas guiadas tiram um pouco da surpresa. Gosto de ver os títulos das obras e tentar entender o propósito do artista. Me diverti a beça no Inhotim. 🙂
    Um abração!

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  • O Belvedere é um dos atrativos incluídos no Vienna Pass e foi minha primeira visita no dia que utilizei o passe.

Na verdade só visitei um dos edifícios, o Upper Belvedere, para viajar no mundo de Klimt. 
Tinha lido que não se podiam tirar fotos, agora está permitido desde que seja sem flash 😍

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