Guias de Viagem e Arte

 
 
jun 25 2010

Museu Orangerie – a mais impactante surpresa desta viagem à Paris

Museu Orangerie - Paris

Parada frente à fachada principal do Musee de L´Orangerie, pensava: “Este edifício parece um templo romano achatado”. Já havia passado pela lateral, que era em grande parte de vidro. Estava intrigada, se tratava de uma intervenção atual ou o edifício já no século 19 havia sido construído daquela maneira?!

Deixei as divagações e entrei com Mesi. O lugar era acolhedor. Estranho, não havia visto nenhuma foto anterior do museu, e sequer vasculhei muito seu site.

Museu Orangerie - Paris

Tudo era surpreendente. As enormes janelas laterais inundavam os espaços internos de luz. Poucos passos, e dou de cara com uma caixa de concreto com os escritos: “Las Nymphéas”. Era o que eu queria ver, as enormes telas de Monet que retratavam as plantas aquáticas de seu jardim. Cruzamos uma ponte. Havia algo exposto no caminho, mas não queria saber de nada mais, queria vê-las, e imediatamente. Ao passar pela entrada, vejo uma sala toda branca. Funciona como o filtro que te prepara para as duas salas subsequentes. Impaciente me dirijo à primeira sala, é ovalada, como uma onda. Nada de esquinas, só harmonia e tranquilidade. O primeiro que impacta é o tamanho da obra. É muito grande. Começo a fotografar, queria levar pra casa o máximo que pudesse daquela beleza. Passado este primeiro estado de euforia. Sento no banco central. Mesi está no mesmo transe. A obra vai reduzindo os batimentos cardíacos, uma serenidade vai tomando conta. Balela? Nada disso! Olha que eu sou hiper ativa, mas sentia tanta paz. Mesi me conta que tem a mesma sensação.

Ninfeas, Monet - Orangerie

Passamos um tempo sem falar, apenas olhando, olhando e olhando. De repente lhe pergunto: “Está preparada para a próxima?” Ela assente, e vamos à segunda sala do Paraíso. Porque se este outro mundo após a morte existe, eu quero que o meu seja assim. Empapelado com as “Ninfeias”, de Claude Monet.

Ninfeas, Monet - Orangerie

Repetimos todo o ritual na segunda sala. Depois voltamos à primeira. Passamos uns 40 minutos neste vai e vem. Ficaríamos mais, só que Mesi tem uma visita guiada no Louvre, e eu tenho um compromisso delicioso na hora do almoço e ainda quero ver o resto do museu.

A contra-gosto nos despedimos. Eu desço para ver a coleção Walter-Guillaume.

Picasso

Caramba, assim morro do coração! Para definir em duas palavras, sem usar chavões como maravilhosa, estupenda ou bárbara, diria: SEM DESPERDÍCIO. Uma coleção que vai do impressionismo aos seguintes movimentos modernos do começo do século 20. Paul Guillaume que iniciou a coleção era amigo dos artistas. Conhecia o que produziam e comprou ou ganhou de presente obras excepcionais. A qualidade do percurso é de babar por três razões:

  1. de cada artista há um pequeno conjunto de obras, o que facilita a comprensão do estilo de cada um deles;
  2. a forma da exposição, que é didática, sem ser monótona. Utilizam diferentes cores nas paredes, e os textos explicativos são interessantes.
  3. os artistas que conformam a coleção: Renoir, Cézane, Marie Laurencin, Modigliani, Matisse, Picasso, André Derain, Utrillo e Soutine.
Museu Orangerie - Paris

Estou tão emocionada, que é difícil manter o controle quando entro na lojinha do museu. Acabo saindo de lá com um poster enorme de uma das Ninfeias. Tenho uma ligeira idéia do lugar que vai estar na minha casa, mas isso lá importava?! O que desejava era levar comigo aquela sensação mágica de tranquilidade misturada estranhamente com o estupor que mantive nas três horas que estive no Orangerie. Sem mais, penso naquelas listas que estão tão de moda, coisas para fazer antes de morrer, e coloco minha pitada: Visitar o Museu de L´Orangerie. Um museu que passo a classificar de Pequena Jóia.

Ainda hoje, mais um guia prático dos museus de Paris, desta vez do Orangerie!

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fotos: turomaquia_2010

2 Comentários

  1. alice

    Patrícia, uma das experiências mais emocionantes que já tive em viagens foi o Marmottan. O Orangerie ficou muitos anos fechado, então não tive a oportunidade de conhecer. Agora eu vou!

    responder
  2. Patricia de Camargo

    Oi Alice, o Orangerie esteve fechado por 6 anos. É um museu delicioso, e perfeito para ir com crianças porque é pequeno, e a escala da arquitetura não deixa os pequenos atordoados.Beijos

    responder

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  • Pessoas, pessoas, pessoas ... mesmo num mundo polarizado, são os encontros que marcam nossa existência, enfim que nos fazem felizes. Hoje graças a minha amiga Leidinara do @curitidoce conheci a Kitsten do @travelandabroad que me fez essa foto, que revela como eu sou em dias em que os encontros deixam minha alma leve, leve ... Brigaduuuu Kitsten e Lola 🥰

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  • Olha a quantidade de pássaros no lago do  Parque del Retiro 😱

O clima está meio maluco. Choveu, fez sol, frio, nem tanto, tá parecendo Curitiba 😂

#parquedelretiromadrid #madridlovers❤️ #roteiromadri
  • Você está participando do #lendoarte2020? Se está, tenho uma baita novidade, a criação de um guia de leitura. Como o livro do Will Gompertz não traz muitas imagens, vou colocar nesse guia, as imagens das obras citadas e material extra para quem tiver a fim de saber mais sobre o tema tratado a cada capítulo. ⁣
⁣
O post está no www.turomaquia.com (coloque o link na bio) e nele pouco a pouco vão aparecer todos os capítulos. Hoje já pode consultar o material do capítulo1, mas até o final da semana, nesse mesmo link terão à disposição as imagens dos capítulos 2 e 3. Curtiu a ideia? Tem alguma sugestão de outras coisas que gostaria de ver nesse "Guia de Leitura do Isso é Arte"?⁣
⁣
Post: http://bit.ly/isso-e-arte⁣
⁣
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  • Me comportei muito bem, olha só o que os Reis trouxeram do Oriente 😜😜😜 #presentesdenatal #livrodemoda #livrodearte #maximhuerta #klimt #pullandbear #itcosmetics
  • O primeiro mangá da Editora Pipoca & Nanquim lançado em 2018. O personagem nos leva pelas salas do Louvre acompanhado por uma de suas divas. É uma edição linda e de grande formato. ⁣
⁣
O que eu achei mais legal foi que o autor fala de alguns artistas que não são aqueles mais buscados pelos turistas. É claro que Da Vinci aparece, mas também um pouco conhecido pelo grande público, Daubigny.⁣
⁣
O livro não se restringe ao Museu do Louvre, o personagem viaja a uma cidade próxima à Paris para se encontrar com outro grande artista ;)⁣
⁣
É uma leitura rápida. Daqueles livros para deixar na mesa da sala e rever os desenhos, bem como para  proporcionar às nossas visitas algo muito mais lindo e interessante do que uma revista de fofocas ;) #desafio1livropormês #livrosdearte #turolivros #mangaartist #louvremuseum #jirotaniguchi #pipocaenanquimeditora
  • Uma alegoria do sonho americano através da saga de uma família imigrante, os Levov. O personagem principal que parece ser e ter tudo, vê pouco a pouco como sua vida desmorona, ou melhor, a visão da perfeição que ele tinha de si mesmo e de todos aqueles que o rodeavam.⁣
⁣
Uma novela que fala sobre nossa humana debilidade em sempre tentar encontrar motivos, razões pelas quais coisas ruins, estranhas, sem sentido, acontecem em nossas vidas. E portanto, também é uma ode (de certa forma) à perda da inocência. ⁣
⁣
Philip Roth ganhou o Prêmio Pulitzer por essa novela  em 1998.⁣
⁣
Li o e-book e curti muito até os 70%, depois achei meio arrastado. Mas ninguém pode dizer que o final não é surpreendente.⁣
⁣
"Viver é entender as pessoas errado, entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado. É assim que sabemos que continuamos vivos: estando errados. Talvez a melhor coisa fosse esquecer se estamos certos ou errados a respeitos das pessoas e simplesmente ir vivendo do jeito que der. Mas se você é capaz de fazer isso ... bem, boa sorte".⁣
⁣
"Ele aprendera a pior lição que a vida pode ensinar - que ela não faz sentido. E quando isso acontece, a felicidade nunca mais é espontânea. É artificial e, mesmo então, obtida ao preço de um tenaz alheamento de si mesmo e da própria história".⁣
⁣
"Quem é que está preparado para a tragédia e para o absurdo do sofrimento? Ninguém. A tragédia do homem despreparado para a tragédia - esta é a tragédia do homem comum".⁣
⁣
"O que o estava deixando espantado era como as pessoas pareciam correr para longe de si mesmas, correr para longe da matéria mesma, qualquer que fosse ela, que fizera dessas pessoas aquilo que eram e, assim drenadas de si mesmas, elas se transformavam no tipo de gente de quem, em outros tempos, elas mesmas teriam sentido pena". ▶️ Para comprar ou saber mais, clique no link da bio.

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