Guias de Viagem e Arte

 
 
out 14 2009

Um dia redondo em Atins

O dia começou preguiçoso. Entre uma tapioca recheada com queijo e presunto e uma frutinha. Atrasamos um pouco a saída. Conhecemos o Edu, o integrante que faltava ao nosso pequeno grupo de jornada. Éramos 5: duas brasileiras expatriadas, eu e Manuela; dois espanhóis, Tom e Edu; e uma russa, Ksenia. Em uma toyota só para nós, partimos com o Silas em direção à praia para começar a aventura daquele dia.

Deixando o povoado para trás, já começamos a ver as dunas, seguidas de um terrenos meio alagados, onde pastavam as vacas. Logo a seguir,  uma faixa de areia com poucas casas, entre elas o Restaurante que mais tarde voltariamos, o do seu Antonio. Depois destas casas, estava o marzão, o nosso conhecido Atlântico.

A Toyota ficou em frente à casa do Seu Antônio, e nós fomos caminhando em direção às dunas. Uma caminhada de uma hora e meia até o Poço das Pedras. Aquela profusão de imagens de dunas e lagoas não cansava, poderia vê-las por mais dias. Cada uma com sua cor – azul, verde, tons diferentes e algumas com belas surpresas – peixes, flores …

Na metade do caminho, passamos por um óasis. Muita vegetação que resiste ao assédio constante da areia. Um pequeno povoado repleto de palmeiras. Passado o povoado, caminhamos por labaredas com pequenas árvores carregadas de folhas dos dois lados. Como um galeria verde.

Depois de um tempo, o verde dá lugar a descampados de areia com um espelho d´água cristalina. Este lugar era diferente de tudo que tinha visto até agora no parque. Isto já intuia, mas de repente o que tinha à minha frente? Um poço de 10 metros de diâmetro, com água daquela cor das publicidades do mar do Caribe. Uma visão? Como aquelas causadas nos viajantes que cruzam os desertos? Por felicidade, a mais pura realidade! E não parou por aí, daquele poço saía um espelho d´água que convidava ao relax. Era só deitar de barriga para cima, e deixar que aquela água fresquinha te levasse a um estado de espírito mais do que zen. Senhores, estávamos no Poço das Pedras.

Não conseguíamos sair daquele lugar, permanecemos quase duas horas. Éramos os donos do nosso tempo, e nossa cumplicidade foi total. Nada de stress e de sair correndo atrás do guia, que por sinal era um solícito Silas. Mas ele disse que ainda havia mais por fazer, e que não íriamos nos arrepender. Levantamos e vencidos fomos caminhando. Mais surpresas?! No primeiro trecho, as lagoas eram mais distantes umas das outras, e a sensação de estar em um deserto aumentava. As cores eram mais densas, tons mais fortes de verde e azul.

Chegamos à lagoa do próximo descanso, já bem pertinho dos terrenos alagados que íamos voltar a cruzar para almoçar, e com direito a novo prazer inesperado. Naquela lagoa viviam flores aquáticas. Suas raizes estavam presas na areia e seus caules eram fínissimos. Os botões estavam na superfície. Era lindo, mágico, poético …

Deixamos a conversa com ocasionais silêncios rolar por uma hora e algo. A fome nos lembrou que íamos provar os famosos camarões dos Atins. Hora de colocar a roupa, vencer a grande duna, atravessar os alagados e receber o sorriso de boas-vindas do Seu Antônio. Mas esta é uma outra história …

Informação prática: será dada na segunda parte desta crônica.

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Fotos: turomaquia_2009

Postado por Patricia de Camargo | Marcadores:

12 Comentários

  1. SÍLVIA OLIVEIRA

    Pati, qual o roteiro que você indicaria nos Lençois para quem tem sete dias, priorizando os lugares menos rústicos? (Ah, tem que incluir São Luis!) Brigadim! 🙂

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  2. Luisa

    Patricia,Brigadao pela dica do carro em Cuba! Vou ver com o hotel o que eles oferecem.Essa sua viagem para Lencois esta me fazendo morrer de inveja! Proximo agosto que eu estiver no Brasil, é pra lá que eu vou! E vou copiar seu roteiro igualzinho! 🙂 Como vc organizou tudo? Contratou alguma agencia ou foi tudo "na unha"? Nao me parece um destino com muitas possibilidades de reservas na internet…Bjs

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  3. Patricia de Camargo

    Silvinha, ainda vou falar sobre roteiros ao final da série, mas dentro do que você pediu seria:1o. dia – São Luís2o. dia – São Luís – Alcântara3o. dia – Alcântara – São Luís4o. dia – Barreirinhas – Lagoa Bonita5o. dia – Barreirinhas – alugar uma lancha, nada de passeio-pacote, e ir bem devagar e parando nos pequenos lençois até Atins – ver a revoada dos guarás e o por do sol no rio6o. dia – Atins (passeio de dia todo) – fim de tarde combinar para voltar de lancha à Barreirinhas7o. dia – Barreirinhas – Lagoa Azul e de tarde pegar uma van direto para o aeroporto de São Luís

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  4. Patricia de Camargo

    Luisa,minha amiga só disse para não pensar em fazer muitos quilômetros por dia, porque é mais fácil se perder do que se achar hehehehe Ela amou CUBA!Quanto aos Lençois, organizei tudo na unha (adorei esta expressão). Muita coisa se pode fazer por Internet, inclusive a maioria da reserva dos hotéis. A logística é um pouco complicada, mas nem chega aos pés da organização de uma viagem à África (como a tua!).Beijos

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  5. SÍLVIA OLIVEIRA

    Brigadão! Bjs!

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  6. Carol Wieser

    Acho que de todos os lençóis que vc postou, esse lugar é a minha cara.Também ficaria alí por horas de barriga pra cima… certeza!!!Obs: e também comeria aquele camarão esperto no final… hummm

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  7. Leila Mattos

    Patricia, primeiro quero agradecer as suas dicas porque elas foram muito úteis na minha viagem aos Lençóis Maranhenses em julho/2010. A viagem já estava definida, mas inclui Atins depois que li.
    Uma notícia triste: você sabia que o Poço as Pedras não existe mais? É… quando liguei pra Mônica do Rancho do Buna e citei os passeios que queria fazer, ela me disse que a erosão devido ao turismo desenfreado matou os peixes e destruiu o Poço das Pedras. Fiquei arrasada, mas ainda bem que existem as suas fotos para a História.
    Mas todo o restante estava lá… rsrs, lindo, lindo, lindo!

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    • Patricia de Camargo

      Obrigado pelo feedback, e fico bem triste em saber que o Poço das Pedras desapareceu …
      um grande abraço

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  8. Andre Campos

    gostaria de saber a opiniao da Patricia e demais sobre a ideia de fazer 1 semana em Sao Luiz e lençois: 2 casais com crianças de 8, 6, 4 e 3 anos.

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    • Patricia de Camargo

      Oi André, uma semana, mesmo com crianças, é uma boa medida. Eu deixaria mais tempo para os Lençois, e tentaria fixcar num hotel legal em Barreirinhas, porque a cidade não oferece muita coisa para crianças nos horários fora dos passeios. Eu ñ iria para Santo Amaro com crianças pequenas, a estrada ñ é das mais seguras. E como vcs vao em 8 pessoas, alugaria uma toyota com guia para realizar os passeios no ritmo mais adequado às crianças. No estilo que realizou a Malu, e nos contou em seu relato que consta do índice dos Lençois Maranhenses.
      um abraço

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  9. RENÉE

    Oi! depóis de ler o material de vcs, fica +forte a vontade de chegar nos lençóis… gostaria de saber + sobre a questão de água potável. Como rola? Para onde não se ir sem água… agradeço as infos, abs

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    • Patricia de Camargo

      Renée, sempre que sair para os passeios tem que levar água. Eu e meu marido comprávamos uma garrafa de 1,5 l. O legal que mesmo como calor, a areia não fica quente, graças ao constante vento, o que torna o passeio ainda mais gostoso.
      Um abraço!

      responder

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  • Pessoas, pessoas, pessoas ... mesmo num mundo polarizado, são os encontros que marcam nossa existência, enfim que nos fazem felizes. Hoje graças a minha amiga Leidinara do @curitidoce conheci a Kitsten do @travelandabroad que me fez essa foto, que revela como eu sou em dias em que os encontros deixam minha alma leve, leve ... Brigaduuuu Kitsten e Lola 🥰

#fotografamadrid #madri #museoreinasofia #photoshoot #hapiness
  • Olha a quantidade de pássaros no lago do  Parque del Retiro 😱

O clima está meio maluco. Choveu, fez sol, frio, nem tanto, tá parecendo Curitiba 😂

#parquedelretiromadrid #madridlovers❤️ #roteiromadri
  • Você está participando do #lendoarte2020? Se está, tenho uma baita novidade, a criação de um guia de leitura. Como o livro do Will Gompertz não traz muitas imagens, vou colocar nesse guia, as imagens das obras citadas e material extra para quem tiver a fim de saber mais sobre o tema tratado a cada capítulo. ⁣
⁣
O post está no www.turomaquia.com (coloque o link na bio) e nele pouco a pouco vão aparecer todos os capítulos. Hoje já pode consultar o material do capítulo1, mas até o final da semana, nesse mesmo link terão à disposição as imagens dos capítulos 2 e 3. Curtiu a ideia? Tem alguma sugestão de outras coisas que gostaria de ver nesse "Guia de Leitura do Isso é Arte"?⁣
⁣
Post: http://bit.ly/isso-e-arte⁣
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#issoearte #willgompertz #historiadaarte #lendoarte #duchamp #elsa #afonte #artemoderna #arteconceitual
  • Me comportei muito bem, olha só o que os Reis trouxeram do Oriente 😜😜😜 #presentesdenatal #livrodemoda #livrodearte #maximhuerta #klimt #pullandbear #itcosmetics
  • O primeiro mangá da Editora Pipoca & Nanquim lançado em 2018. O personagem nos leva pelas salas do Louvre acompanhado por uma de suas divas. É uma edição linda e de grande formato. ⁣
⁣
O que eu achei mais legal foi que o autor fala de alguns artistas que não são aqueles mais buscados pelos turistas. É claro que Da Vinci aparece, mas também um pouco conhecido pelo grande público, Daubigny.⁣
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O livro não se restringe ao Museu do Louvre, o personagem viaja a uma cidade próxima à Paris para se encontrar com outro grande artista ;)⁣
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É uma leitura rápida. Daqueles livros para deixar na mesa da sala e rever os desenhos, bem como para  proporcionar às nossas visitas algo muito mais lindo e interessante do que uma revista de fofocas ;) #desafio1livropormês #livrosdearte #turolivros #mangaartist #louvremuseum #jirotaniguchi #pipocaenanquimeditora
  • Uma alegoria do sonho americano através da saga de uma família imigrante, os Levov. O personagem principal que parece ser e ter tudo, vê pouco a pouco como sua vida desmorona, ou melhor, a visão da perfeição que ele tinha de si mesmo e de todos aqueles que o rodeavam.⁣
⁣
Uma novela que fala sobre nossa humana debilidade em sempre tentar encontrar motivos, razões pelas quais coisas ruins, estranhas, sem sentido, acontecem em nossas vidas. E portanto, também é uma ode (de certa forma) à perda da inocência. ⁣
⁣
Philip Roth ganhou o Prêmio Pulitzer por essa novela  em 1998.⁣
⁣
Li o e-book e curti muito até os 70%, depois achei meio arrastado. Mas ninguém pode dizer que o final não é surpreendente.⁣
⁣
"Viver é entender as pessoas errado, entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado. É assim que sabemos que continuamos vivos: estando errados. Talvez a melhor coisa fosse esquecer se estamos certos ou errados a respeitos das pessoas e simplesmente ir vivendo do jeito que der. Mas se você é capaz de fazer isso ... bem, boa sorte".⁣
⁣
"Ele aprendera a pior lição que a vida pode ensinar - que ela não faz sentido. E quando isso acontece, a felicidade nunca mais é espontânea. É artificial e, mesmo então, obtida ao preço de um tenaz alheamento de si mesmo e da própria história".⁣
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"Quem é que está preparado para a tragédia e para o absurdo do sofrimento? Ninguém. A tragédia do homem despreparado para a tragédia - esta é a tragédia do homem comum".⁣
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"O que o estava deixando espantado era como as pessoas pareciam correr para longe de si mesmas, correr para longe da matéria mesma, qualquer que fosse ela, que fizera dessas pessoas aquilo que eram e, assim drenadas de si mesmas, elas se transformavam no tipo de gente de quem, em outros tempos, elas mesmas teriam sentido pena". ▶️ Para comprar ou saber mais, clique no link da bio.

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